A história da Dupla Poda — a técnica que inverteu o ciclo da videira
e colocou o Sul de Minas em diálogo com as maiores regiões vinícolas do planeta.
No início dos anos 2000, Murillo de Albuquerque Regina, pesquisador da Epamig em Caldas, regressava de seu pós-doutorado no ENTAV, França, com uma percepção que poucos ousariam transformar em realidade.
O verão europeu — dias longos, noites frescas, solo seco — guardava semelhança inesperada com o inverno do Sul de Minas Gerais. Não era nostalgia de terras distantes. Era o reconhecimento de um terroir à espera de sua vocação.
Murillo compartilhou a ideia com seus sócios franceses. As primeiras mudas de Syrah cruzaram o Atlântico. Em 2001, os primeiros vinhedos foram plantados em Três Corações. Em 2003, a primeira safra experimental. Em 2010, o primeiro vinho chegou ao mercado e ao coração de quem bebe com atenção.
Murillo reconhece no inverno mineiro as condições climáticas dos grandes vinhedos europeus.
Primeiras mudas de Syrah plantadas na Fazenda Santa Fé. O experimento começa no silêncio.
A Syrah responde com qualidade, sanidade e concentração. O Sul de Minas prova que pode.
Murillo co-funda a Vitácea Brasil — hoje líder nacional de viveiros vitícolas, com 80% de market share.
O primeiro vinho de colheita de inverno chega às taças. Um divisor na história do vinho brasileiro.
A técnica se expande por 8 mesorregiões de MG, SP, RJ, Centro-Oeste e Chapada Diamantina. Mais de 2.500 ton./safra.
A videira, por natureza, colhe no verão. No Brasil tropical, o verão é úmido, quente, propício à doença fúngica. A Dupla Poda inverte esse destino — força a planta a amadurecer seus frutos no inverno seco, sob sol intenso e noites que descem ao frescor da Serra da Mantiqueira.
O resultado é maturação mais lenta, casca mais espessa e concentração de aromas que coloca esses vinhos em conversação com Bordeaux e o Ródano.
Os cachos se formam e são retirados. A planta acumula reservas. O vinhedo trabalha em silêncio.
01Desbaste, condução foliar, vigilância. Energia total para raízes e madeira. Nenhuma uva neste ciclo.
02Segunda poda. A videira inicia seu ciclo produtivo real, com toda a reserva acumulada do primeiro ciclo.
03Dias ensolarados, noites frias, solo seco. A uva amadurece em condições próximas às das grandes regiões europeias.
04Bagas de casca espessa. Cor profunda, violácea quando jovem. Taninos presentes e civilizados. Uma acidez que sustenta décadas em garrafa. Aromas que percorrem pimenta-preta, ameixa, violeta, especiarias — e uma mineralidade que fala do granito da Mantiqueira.
Em 2025, o Isabela Syrah 2023 — batizado pela Vinícola Maria Maria em homenagem à nossa consultora enóloga Isabela Peregrino — conquistou 96 pontos e medalha de ouro no Decanter World Wine Awards, o maior resultado já obtido por um vinho brasileiro na história da competição. Produzido pela técnica da Dupla Poda, no Sul de Minas.
Agrônomo, Mestre e Doutor em Viticultura e Enologia pela Université de Bordeaux II. Pós-Doutor pelo ENTAV (França). Ex-pesquisador da Epamig Caldas, onde desenvolveu a técnica da Dupla Poda a partir de 2001. Co-fundador e diretor do Grupo Vitácea Brasil — líder nacional com 80% de market share.
Mentor e Referência
Graduada em Farmácia/Bioquímica (UFJF) e em Tecnologia em Viticultura e Enologia (IFRS-Bento Gonçalves). Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos. Enóloga da Epamig desde 2014. Co-fundadora da UVA-MG. Especialidade: vinhos de inverno pela Dupla Poda e espumantes Champenoise. Consultora da Vinícola Bárbara Heliodora.
O rótulo Isabela Syrah 2023, medalha de ouro no Decanter World Wine Awards 2025, foi batizado com seu nome como homenagem feita pela Vinícola Maria Maria.
Decanter Gold · 96 pts · DWWA 2025 @belaperegrino
Engenheiro agrônomo da Vitácea Brasil responsável pelo acompanhamento técnico do nosso projeto em Paraisópolis. Conduz análise de solo, calendário de manejo, condução das videiras e protocolo da Dupla Poda adaptado ao terroir da Joanna Sabbadini. Co-autor de publicações técnicas com Isabela Peregrino e Murillo Regina.
Assessoria Técnica Ativa @gabrielmachado.agroEm aproximadamente 30 hectares às margens da Serra da Mantiqueira, em Paraisópolis, a Vinícola Joanna Sabbadini cresce com método, paciência e a consciência de que vinho de qualidade não se apressou em nenhuma latitude do mundo.
A Dupla Poda é o coração do nosso manejo. As videiras são acompanhadas pela Vitácea Brasil — através do engenheiro Gabriel — com fidelidade ao protocolo que Murillo criou e que o Sul de Minas consagrou. Isabela Peregrino integra o projeto como interlocutora técnica na vinificação.
O inverno de Paraisópolis tem personalidade. O vento que desce da Mantiqueira seca a casca da uva, amplia a amplitude térmica entre o dia e a noite, e escreve na composição da baga uma assinatura que nenhum outro terroir reproduz.
No coração do nosso projeto, uma capela que ainda será erguida: a Capela de Sant'Anna, que será construída — inspirada nas Capelas de Sant'Anna italianas e toscanas, de pedra, ciprestes e luz dourada de fim de tarde.
A ideia nasceu de Dona Celina, avó materna de Ana Alice, e traduz uma convicção simples: antes mesmo do vinhedo, há fé, memória e pertencimento.
Futuramente, a capela integrará um anexo de eventos, também já projetado, ampliando o conjunto de experiências que a Vinícola Joanna Sabbadini oferecerá — um lugar para celebrar a vida, o encontro e cada nova safra.
@vinicolajoannasabbadini
Inspiração · Capela de Sant'Anna · projeto futuro da Vinícola Joanna Sabbadini
A Casa Sede já existe — e será preparada para encontrar sua verdadeira função no projeto. Pedra, água e luz baixa em diálogo com o céu estrelado de Paraisópolis: um espaço de acolhimento que antecede e sucede cada visita ao vinhedo.
Arquitetura que não compete com a paisagem, mas se funde a ela: pedra local, telhas de barro, arcos que abraçam a piscina e o jardim. Um lugar para ficar depois da taça, sob as mesmas estrelas que iluminam as videiras.
Inspiração · Casa Sede · projeto futuro da Vinícola Joanna Sabbadini
Paraisópolis está inserida em um dos polos vitícolas mais dinâmicos do Brasil. Nossos vizinhos imediatos formam uma constelação de projetos que compartilham a mesma técnica, o mesmo terroir de altitude e a mesma determinação.
São Gonçalo do Sapucaí, MG — nossa vizinha de terroir. Pioneira no município na Dupla Poda, com 18 hectares de Syrah. A enóloga Isabela Peregrino é consultora da casa, tornando nosso vínculo ainda mais próximo.
@vinicola.barbaraeliodoraSão Gonçalo do Sapucaí, MG — novo projeto da família Davo em parceria com a Vitácea Brasil. José Afonso Davo e Murillo Regina uniram expertise para ampliar a produção e fortalecer o eixo vitícola regional.
@hotelevinicoladavoSenador José Bento, MG — próximo de nós. Com 8 hectares de Syrah, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc. Fundada pelo eng. agrônomo Welles Pascoal, produz vinhos de inverno de alta qualidade e desenvolve projeto de hotel-boutique.
@almamineiravinicolaSão Bento do Sapucaí, SP. Colheitas de inverno, Syrah e Cabernet Franc. Prata no Decanter pelo Brandina Assemblage 2020. Uma das pioneiras da elegância serrana.
@vinicolavillasantamariaSanto Antônio do Pinhal, SP — com vinhedo em Maria da Fé, MG, a até 1.910m de altitude, o mais alto do Brasil. Enoturismo de referência e Shiraz Rosé premiado na estreia.
@vinicolaessenzaPolo enológico da Mantiqueira. Vinícola Ferreira — 26 medalhas internacionais, ouro no DWWA 2023. Um cluster vitícola em formação acelerada que ancora o eixo.
@vinicola.ferreiraPresidida por Claudio Góes (Vinícola Góes), reúne os produtores que adotam a Dupla Poda em todo o Brasil. Somos afiliados — parte de uma rede que compartilha conhecimento técnico, representação institucional e promoção coletiva dos vinhos de inverno no país e no exterior.
Co-fundada por Isabela Peregrino e presidida por José Procópio Stella (Vinícola Stella Valentino), articula pesquisa, regulamentação, indicação geográfica e desenvolvimento do polo vitivinícola do Sul de Minas. Nossa filiação à UVA-MG consolida a Vinícola Joanna Sabbadini dentro do ecossistema técnico e institucional mais avançado do setor.
Paraisópolis não é apenas o lugar onde plantamos. É o lugar que nos constitui. Cidade que deu ao Brasil um de seus maiores artistas — Amílcar de Castro, nascido aqui em 1920 — inventor do corte e da dobra, da escultura que emerge de uma chapa de ferro sem solda, sem adorno, apenas com a força da forma lançada ao espaço.
Há algo nessa origem que ressoa na Dupla Poda. Também ela é corte e dobra — da videira, do tempo, do ciclo natural. Um gesto preciso que revela o que estava latente na terra.
E o vento. Quem já esteve em Paraisópolis conhece o vento que mora aqui — que sobe da Mantiqueira, entra pelas ruas, curva as árvores e conhece cada vinhedo pelo nome. É esse vento que seca a uva, que amplia a temperatura entre o dia e a noite, que faz do inverno local um parceiro essencial de todo o nosso trabalho.
E há o casario que o tempo soube guardar. A poucos passos da Vinícola, o Casarão das Irmãs Carvalho — erguido em 1917 e tombado como patrimônio de Paraisópolis, hoje Casa da Cultura da cidade — preserva, na arquitetura neocolonial mineira, a mesma memória de pertencimento que move o nosso projeto.
Obra de Amílcar de Castro · o corte e a dobra
Escultor, desenhista, gravador, professor. Um dos mais importantes artistas plásticos brasileiros do século XX. Signatário do Manifesto Neoconcreto com Lygia Clark, Ferreira Gullar e Hélio Oiticica.
Duas bolsas Guggenheim. Sala especial na Bienal de São Paulo. Retrospectivas no MASP e Paço Imperial. Seu método: partir de um plano geométrico, cortá-lo, dobrá-lo — sem solda — e lançá-lo ao espaço. Em Paraisópolis, mais de 22 de suas obras permanecem no Centro Cultural que leva seu nome.
"As Minas Gerais vão muito além de um localismo geográfico e anedótico." — Rodrigo Naves
Paraisópolis que gera arte — em ferro dobrado ou em notas de um Brasil que canta suas origens. Carlos Gonzaga, filho desta mesma terra, nos lembra que aqui a criatividade não é exceção: é o ar que se respira, o mesmo vento que curva os vinhedos e conduz os aromas do inverno até a taça.
Terra de artistas, terra de vento — e de um casario que resiste, como o Casarão das Irmãs Carvalho, vizinho da nossa Vinícola. Nossa vocação não começou hoje.
Serra da Mantiqueira, sul de Minas — 900 a 1.200m de altitude. 310km de São Paulo, 380km de BH e 350km do Rio, próximo à Fernão Dias (BR-381).
Dúvidas, visitas ou parcerias — escreva para nós.
Um guia sobre a Dupla Poda — terroir, inverno e paciência, em poucas páginas.
Cultivamos com método, paciência e respeito à terra.
No inverno que o vento traz, a uva escreve o que o terroir tem a dizer.